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Sem título
(Retirado de um caderno meu. Escrito em 16/10/95. Transcrevi exatamente como estava)
Finoca, uma pequena sardinha, e Lilica, uma corcoroca criança, voltaram horrorizadas de um passeio e espalham pânico entre os peixes, ao contarem quem viram um monstro.
Um velho atum, muito viajado, em cuja sabedoria todos confiavam, encarregou-se de argüilas.
E foi verdade que elas viram um monstro.
- Vi, sim, senhor – respondeu timidamente.
- Conte-nos o que viu lá.
Finoca tremeu de horror só de pensar no estranho animal que havia encontrado.
- Um monstro! – disse com voz sumida.
- Diga como é esse monstro.
- Horrível! Não quero nem me lembrar!
- De que cor é o monstro?
- Escuro – sussurrou ela.
- É grande?
- Muito.
- Que fazia?
- Não sei! – explicou, indecisa. – Desconfio que procurava alimento.
- Você viu a boca do monstro? – perguntou.
- Boca? Que boca? – pensou a sardinha.
- Ele não tem boca! – esclareceu.
- Não tem boca? Menina todos os animais têm boca.
- O monstro não tem. Juro! Pergunte a Lilica.
Antes de ser consultada a amiga confirmou:
- Não tem boca. Mas em compensação, tem um olhão medonho no meio da cara.
- Um só? Disse o sábio muito admirado.
- Só. E uma cabeça redonda, como uma bola.
Até o velho atum estremeceu, ao imaginar a cara do misterioso bicho.
A descrição não poderia ser mais apavorante: um animal enorme, forte, escuro, com uma cabeça e um olho só. Além disso com duas caudas…
- Deve ser um animal perigosíssimo – concluiu o atum.
- Se o olho é enorme – aparteou um mero – imaginem a boca!
Isso fez com que todos ficassem com medo. E o juiz decidiu:
- Só há uma solução! Vamos todos vê-lo.
O pessoal ficou assustado mas foram. Os mais corajosos estavam na frente. E um deles gritou:
- Olhem o monstro da Lilica e da Finoca!
Todos riram! Sabe por que? Porque era uma bóia estragada.
Bom, depois disso ninguém ficou com medo. E a Lilica e a Finoca foram presas por mentir.
Top 5 (+1) 2008
1) Abraço no Aeroporto de Heathrow, em Londres – março
2) Abraços no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio - abril
3) Passeio de bicicleta no Vondelpark, em Amsterdã – abril
4) Chegar ao topo do Arthur’s Seat, em Edimburgo – janeiro
5) Abraço em Copacabana, Rio – setembro
6) Topless na praia de Barceloneta, em Barcelona – abril
Rio com ele
Quase confundia a saudade que tinha por ele e pela cidade. Não fosse o fato de que soubesse que passou a admirar aquele lugar por causa dele, poderia dizer que era o mesmo sentimento. E a paixão com que ele falava da cidade, dos lugares e das pessoas despertava seu interesse. E ela também foi aprendendo a gostar. Era diferente estar em algum lugar lá com e sem a presença dele. Devia ser por isso que passeios tão simples tornavam-se tão doces como os churros que compraram na Urca. Não haveria como esquecer momentos assim. Como aquela vez que foram a um show na loja de discos em Copacabana. Choveu tanto quando voltavam e eles correram, correram. Às vezes ele a chamava com tanta pressa para sair de casa. Foi assim quando foram a Santa Teresa. E lá procuraram por museus como dois turistas. E mesmo programas como café e cinema se tornavam tão memoráveis. Ela nem falava muito, mas ouvia com atenção porque ele contava coisas sobre as quais nunca antes dissera. Tiravam fotos de qualquer coisa que passava no céu e ele a deixava cuidadosamente no ônibus certo. E, mais que esses fragmentos de lembranças, ela não esquecia a viagem no final do ano. Ela estava mal e chorava. Ele, com sono, apertava sua mão e dizia que tudo ia ficar bem. E ficou. Mas ela continuava com saudade. E guardava as quase promessas que ele havia feito, de que iriam ver o pôr-do-sol no Arpoador, comprar livros em sebos e assistir a shows na Lapa.