Archive for the ‘tela grande’ Category
Saldo do Indie 2009
= 2 filmes!
Mas eu posso picaretar e dizer que foram quatro, já que em Tokyo há três filmes. O do Michel Gondry é coisa lindadessavidademeudeus! Eu amo o Gondry muito. Nesse filme (eu não saberia dizer se é um curta, acho que não, qual o critério pra ser curta, alguém me explica?) ele conta a história de um casal que se muda para Tokyo – claro – e divide um apartamento bem pequeno com uma amiga que resolve ajudá-los por um tempo. Procuram emprego para se mudar, mas a garota, chamada Hiroko, não tem sucesso, não consegue descobrir habilidade para nada. O namorado, Akemi, consegue emprego de embrulhador numa loja e nas horas vagas é cineasta. O mais incrível de tudo é o final. É surpreendente. E eu não posso contar mais nada que isso porque o legal é realmente não esperar o que acontece a Hiroko. Achei uma metáfora linda, nada sutil. E acho que prefiro metáfora assim escancaradas (estou numa fase “por um mundo mastigado” da vida, foi mal).
Do segundo, do Carax, não gostei não. No início, até estava achando bizarramente interessante e engraçado (e nojento, claro!) as peripécias do Senhor Merde. Mas depois o enredo segue uma linha política demais. A parte do julgamento se prolonga muito. Eu estava com sono e torcia para acabar.
O terceiro, do coreano Joon-ho Bong, é muito bonito. Eu já tinha visto dele O hospedeiro, um terror trash muito bom (eu não costumo gostar desse gênero, confiem em mim, é bom mesmo!). O episódio dele é o Shaking Tokyo e conta a história de um homem que vive isolado do mundo todo, cheio de fobias. Ele não sai de casa há anos, e sobrevive assim graças ao serviços de delivery. Aí um belo dia ele faz contato visual com a menina entregadora de pizza, e pronto, a vida muda. Tem o terremoto também que complica as coisas. Achei muito bonito (ih, já disse isso). Primeiro eu quis viver que nem o moço porque tem uma parte de mim que acha lindo viver assim isolada do mundo. Mas eu saí do cinema muito amorosa, querendo abraçar as pessoas e feliz porque existe um tanto de gente por aí. Por mais que eu tenha muita preguiça das pessoas em alguns momentos. Enfim, foi o melhor dos três.
O trailer de Tokyo é bem legal, ó:
O outro filme que vi foi O barulho na cabeça, um longa suíço, dentro da mostra dos novos diretores. A protagonista é a Laura (a atriz é a cara da Audrey Tatou), uma moça toda problemática, mega carente. Gostei da parte em que ela tem aqueles pensamentos ótimos enquanto conversa com um colega de trabalho. Às vezes é realmente difícil se concentrar com o nosso “barulho na nossa cabeça (dã!). A Laura é tão doidinha que resolve pegar um menino pra criar. Isso mesmo, vê um moleque na rua, oferece o chuveiro da casa, comida e quando vê já ofereceu pro menino morar lá. O menino, chamado Simon, é chato pra dedéu (com uma cara de lezzo, meu deus, será que o ator é muito bom ou ele é assim mesmo?). Daí que a história não me apeteceu muito não.
Estou com a revistinha do Indie e vou escolher um tanto de filme pra baixar. A mostra estava bem legal este ano, eu que não tive muito tempo de ir não por causa do trabalho, pós, e de umas outras paradinhas aí (que mistério, hein, leitores!). Mas a verdade é que isso é papo furado. Durante o indie eu resolvi pagar pra ver dois blockusters nesses cinemaplex da vida: Se beber, não case (muito engraçado!) e Up (shoooreeei!). Acho que com isso eu assino meu atestado “não sou indie”.
A Mostra terminou ontem e eu não vi mais nada mesmo, nem teria como, já que parti pra Sampa pra ver essa coisa linda do vídeo aí embaixo. Zach, por favor, menos caipirinhas desta vez, quero te ver cantando sóbrio.
E não vale falar que Beirut é coisa de indie, até na Globo já tocou.
Postman Park, Jude Law e o Café
Estava eu revendo Closer pela enésima vez (haha, life is not painful enough!) esses dias quando me dei conta de um detalhe na cena final. Jude Law (ai ai) vai caminhando no Postman Park (eu fui nesse parque em Londres só por causa do filme, confesso!) e percebe… bom, é spoiler pra quem não viu o filme, então não vou contar (e não vejam o vídeo todo se não quiserem saber). Mas reparem bem no que Jude carrega em suas mãos. Ele sabe das coisas, assim como eu né? Reparem que ele não está tomando um Starbucks. Valeu, Jude!
O Indie 2009 começou…
… mas não esperem uma cobertura como a do ano passado. Se é que alguém aqui espera alguma coisa.

Vi "Tokyo" na abertura da Mostra e falo dele depois. Ou não.
O Grupo Baader Meinhof
Já faz algumas semanas que assisti ao filme “O Grupo Baader Meinhof” com um amigo no Rio. É um longa bem longo (ha-ha!) alemão, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano. Eu confesso que não sabia patavina sobre esse grupo antes. Santa ignorância! Mas é pra isso que existem livros e filmes. Viva!
E aí fiquei sabendo que existiu esse grupo terrorista alemão, formado em 1970 e dissolvido em 1998 (tipo ontem, né?). A organização na verdade se chamava Facção Exército Vermelho (em alemão, Rote Armee Fraktion ou RAF), mas foi apelidada pela imprensa de Baader Meinhof – sobrenomes do revolucionário Andreas Baader e da jornalista Ulrike Meinhof, os participantes mais notáveis. O grupo condenava o modo capitalista que se desenvolvia na República Federal da Alemanha e acusava o governo de dar continuidade ao Estado nazista. Era uma organização de guerrilha urbana, de extrema esquerda, e é claro que eles tacaram fogo em prédios, sequestraram, assassinaram, foram presos, fugiram da prisão, voltaram pra cadeia, foram à julgamento, e blá blá blá (nada de spoilers por aqui, já que você leitor também pode não saber nada né?). O curioso é que muitos simpatizavam pelos ideais da RAF e iam nos julgamentos aplaudir os revolucionários.
Dia desses estava skypando com minha amiga alemã e ela me contou que até hoje tem uma galerinha lá que é admiradora do grupo. O assunto é bem polêmico lá e rendeu bastante em 1994, quando Irmgard Möller, remanescente do grupo, foi libertada por razões médicas.
Mas olha, quem pensa que eu vou ficar fazendo análises históricas/filosóficas/sociológicas/ whatever sobre o grupo está muito enganado. Dá pra saber muita coisa aqui. E quem acha que vai ler resenha minha sobre o filme também se deu mal. É que uma coisa que me chamou muita atenção foi a presença de várias mulheres terroristas no grupo. Como elas eram bonitas, se vestiam bem, tinham estilo! Fiquei encantada com as roupas e maquiagens (sou fútil, ok??)! Saí do cinema querendo ser uma terrorista alemã da década de 70 (Vishe, será que eu posso ser presa por falar isso? Gente, é brincadeira, juro! Sou da paz! Pronto, não me prendam!!!).
Se liguem no estilo:

Imagina ser perseguida com esse casaco!

Atirando com estilo

Fuzilando com mais estilo ainda!

Maquiagem pra aterrorizar
Tinha que ser Dustin Hoffman
(Texto cuspido sobre meu encontro com Dustin Hoffman)
Manhã cinzenta e chuvosa em Londres (um abraço pro pleonasmo) e eu resolvi ir ao Tate Modern pela segunda vez (não tem como ver tudo em apenas uma manhã). Jururu que só e com saudade maior do mundo, pego trem lotado e me lembro dos dias de 5102 em Belo Horizonte. Primeiro mundo também tem dessas coisas. O inglês bem tipo britânico pergunta “Eu não merecia uma manhã assim e você?”. “Também não”, respondo. Será que não mesmo? Desço numa estação antes para andar um pouco. Por que não aproveitar o caminho bonito às margens do Tâmsia? Vejo uma aglomeração de pessoas e muito burburinho. Tá rolando alguma coisa aqui. Fico lá observando, sou curiosa mesmo. Hmmm… câmeras, fios… gravação de algo. Quem tá ali? Emma Thompson? Sim, Academy Winner Emma Thompson! E ao lado dela… Oi? Dustin Hoffman? Putiz! Academy Winner Dustin Hoffman! Resolvo dar uma de paparazzi. O diretor eu não conheço. Mas que foda! Só em Londres mesmo! A gravação é interrompida. Resolvo me aproximar. Vou tirar umas fotos mais de perto. E só. Não quero incomodar. Algumas pessoas pedem autógrafo. Não sei tietar. Não sei. Será que não? Não mesmo. Mas nem se fosse o Woody Allen aqui na minha frente? Não, não. E a vergonha… eu ia falar o quê? Dustin e Emma se aproximam. Consigo umas fotos ainda mais de perto. Dustin vem na minha direção. Quê? Ele está vindo na minha direção? Dustin pergunta: “O que é isso que você está segurando?” Eu: “Uma câmera”. Putiz, ferrou, ele vai jogar minha câmera no Tâmsia com todas as fotos que tirei de Londres! “Uma câmera?”… “Errr, sim, e veio lá do Brasil”. Todo mundo tem empatia por brasileiro. Vai funcionar! “E por que você não tira uma foto comigo, então?”, diz o Academy Winner Dustin Hoffman! Hm? Oi? Quê? Foi isso mesmo? Foi. Foi isso mesmo! “Ok, claro”. Dustin entrega a câmera que veio do Brasil para um senhor próximo e me abraça. “Veja aí se a foto ficou boa”. “Ficou ótima!” Eu tenho que agradecer? Eu não pedi pra tirar foto com ele. “Que bom! Tchau!”, despede Dustin. “Wow! Que simpático, não?”, diz uma senhora admirada. Wtf just happened? Não tô entendendo nada. Um moço da equipe passa por mim. “Você tem sorte. Ele não dá atenção assim fácil.” Nove e meia da manhã na Inglaterra. Seis e meia da manhã no Brasil. Preciso acordar meu irmão!
Tinha que ser você (tradução meio medíocre de Last Chance Harvey) estreia no Brasil dia 19 de junho. Vou assistir sorrindo.
Julie e Julia
Não subestimemos as ideias simples. Muitas vezes é a partir delas que podemos encontrar soluções para nossos problemas. E olha que “problemas” aqui podem ser aqueles sérios, relacionados ao marasmo da vida, causado principalmente pelas frustrações na carreira.
Vejamos o caso de Julie Powell… Estava prestes a completar 30 anos, casada, sendo pressionada pela sociedade para ter filhos (por que a humanidade ainda faz isso, alguém me explica?) e com um emprego medíocre de secretária num lugar onde tinha que aturar aquelas conversas ininteligentes dos colegas de trabalho. Eis que um belo dia, na cozinha de sua mãe, ela acha o velho livro de receitas “Mastering the Art of French Cooking”. Escrito em 1963 por Julia Child, o livro virou um clássico nos Estados Unidos. Deu tão certo que a autora foi convidada a ter um programa na TV, daqueles mesmo do tipo da Ofélia aqui no Brasil.
Aí a Julie começou a preparar as receitas da Julia. E foi além, propôs um desafio para ela mesma: fazer as 524 receitas do livro em um ano e compartilhar com o mundo num blog, que ela chamava de “The Julie/Julia Project”. O blog começou a ser bastante acessado, as pessoas queriam saber como a Julie estava se virando, torcendo por ela e também tentando seguir algumas das receitas. Ok, pode ser uma ideia um pouco insólita, mas não deixa de ser simples.
E então o blog virou livro. E o livro virou filme – estrelado por ninguém mais, ninguém menos que Meryl Streep. Tem também a Amy Adams, que acho uma graça, interpretando a Julie. Desde que li “Julie & Julia” fiquei obcecada por essa coisa das ideias simples mudando a vida das pessoas. Aí eu começo a pensar nos inúmeros projetos que já tive pra blogs, que nunca vão pra frente. Quem sabe um deles não dá certo um dia? E aí o blog vai virar livro. Que vai virar filme. Que vai ter a Meryl Streep, claro!
Trailer do filme, que estreia em setembro no Brasil
Budapeste
(Para o Pílula Pop)
A ideia de filmar um livro como Budapeste é ousada. A obra de Chico Buarque, de 2003, é pura metalinguagem, de difícil transposição. O livro é uma ode às palavras, à linguagem, aos idiomas, ao ato – por diversas vezes pungente – de escrever. A insolência é responsabilidade do diretor Walter Carvalho. Acresente ainda o fato de “Budapeste” ser seu longa de estreia. Audacioso? Sim, mas Walter – felizmente – soube tratar a adaptação do livro à tela com certo esmero.
O protagonista da história é José Costa (Leonardo Medeiros), um ghost writercansado de permancer no anonimato e sem paixão no casamento com a apresentadora de telejornal Vanda (Giovanna Antonelli), com quem vive no Rio de Janeiro. É um acaso que faz o escritor parar em Budapeste na primeira vez. Mas quando retorna à cidade, Costa conhece a húngara Kriska (Gabriela Hámori), por quem se apaixona. A vontade de ficar com ela, que acaba sendo também sua professora de húngaro, é o motivo para o brasileiro permanecer em Budapeste, onde assume a alcunha Zsoze Kosta.
A partir da mudança para a capital da Hungria, a trama se conduz pela ideia do simulacro, do duplo, com cruzamentos entre as vidas do escritor no Rio e em Budapeste. José-Zsoze são ghost writers – em português e húngaro, respectivamente -, têm ciúmes das companheiras, perdem-se em devaneios (o que torna necessária a narração em off, com grandes sacadas retiradas do livro).
Leonardo Medeiros está seguro, assim como o restante do elenco. A atriz húngara Gabriela Hámori é charmosa na medida essencial para conquistar logo na primeira aparição. O escritor, completamente Lost in translation, jamais resistiria a uma moça bonita de patins, na bonita cena em que ela diz “Vou te dar meu idioma”. As passagens relacionadas ao aprendizado da língua e que remetem a questões linguísticas, inerentes às questões culturais, sobressaem-se no longa.
Walter Carvalho faz jus a sua vasta experiência como diretor de fotografia (estão em seu currículo Lavoura Arcaica, Central do Brasil, Terra Estrangeira, dentre outros), principalmente ao retratar a amarela Budapeste, utilizando precisos planos longos. De resto, tem seu mérito por adaptar uma obra complicada para a tela grande, sem comprometer seu tom narrativo. A discussão – geralmente infundada – de comparar livro e filme torna-se um peso em “Budapeste”, justamente pela questão da metalinguagem. Ainda que o longa, em seu final, encontre uma solução para adaptar o fim do livro, não chega a ser impactante como a obra de Chico. Falta o suporte necessário às palavras.
A janela
(Para o Pílula Pop)
O diretor argentino Carlos Sorin sabe como dirgir atores da terceira idade.“Histórias Mínimas” e “O cachorro” apresentam enredos simples e bonitos sobre velhinhos, que não possuem vidas extraordinárias, mas torcemos por eles como se fossem antigos conhecidos. Ainda que menos nobre que os outros personagens de Sorin, Antonio (Antonio Larreta, mais um ator amador, outra marca dos filmes do argentino) também é um velhinho batuta, cuja teimosia em fugir provoca ainda mais cumplicidade.
Apesar do título e do imponente cartaz, a existência de Antonio é guiada menos pela janela do que pelo tic tac do relógio. Deitado em sua cama, com a saúde frágil e impedido de fazer esforço, o senhor de 80 anos vive em constante espera.“Sessenta dias são uma eternidade”, diz em certo momento, ratificando que o passar do tempo o aflige muito pela condição em que se encontra.
O velho não sabe esperar e tem medo de esquecer. A alegria pela lembrança de uma memória de mais de 50 anos, guardada em algum lugar de seu subconsciente, mostra o quanto ele gosta das reminiscências. A janela, que quando aberta mostra a Antônio os magníficos campos, é mais um elemento que torna a espera mais angustiante.
Há também a espera pela chegada do filho, um famoso pianista que mora na Europa e decide visitar o pai após saber do seu debilitado estado de saúde. O protagonista se mostra preocupado em receber bem o filho: chama um afinador para consertar o velho piano alemão e resolve abrir uma garrafa de vinho que sempre guardou para uma ocasião especial.
Além de Antônio, não há outro personagem da história que seja desenvolvido a ponto de criar empatia. As ajudantes Emilse e Maria del Carmen possuem diálogos fracos e artificiais. Os closes e os cortes de novelas quando as duas estão em cena contribuem para que as interpretações das atrizes pareçam ainda mais fracas e forçadas. A inclusão de alguns personagens, como o contador Alberto, é até mesmo desnecessária na trama.
Felizmente é Antônio quem preenche a maior parte da história e o modo como ele é recalcitrante para aproveitar o pouco tempo que resta é o que dá vida ao longa de Sorin. “A janela” pode não ser uma obra-prima. Pode ser um daqueles filmes considerados bons, mas esquecíveis. Só que é bem provável que fique no subconsciente e que algum dia – nem que seja durante a terceira idade – as imagens retidas sejam recuperadas e façam sentido.
Eu não te amo
Ah, como a sinceridade cruel pode ser tão adorável!
I am leaving you because I don’t love you
I don’t love you anymore. Goodbye.
Bonito
Dustin Lance Black, roteirista de Milk – a voz da igualdade, fez o discurso mais bonito do Oscar 2009. A propósito, acho Milk superior ao ganhador de melhor filme, Quem quer ser um milionário. Ficou tarde pra fazer um post sobre os filmes do Oscar, mas acho válido colocar o vídeo do Dustin agradecendo.