Archive for the ‘nhaaamm nhaaaamm’ Category
Postman Park, Jude Law e o Café
Estava eu revendo Closer pela enésima vez (haha, life is not painful enough!) esses dias quando me dei conta de um detalhe na cena final. Jude Law (ai ai) vai caminhando no Postman Park (eu fui nesse parque em Londres só por causa do filme, confesso!) e percebe… bom, é spoiler pra quem não viu o filme, então não vou contar (e não vejam o vídeo todo se não quiserem saber). Mas reparem bem no que Jude carrega em suas mãos. Ele sabe das coisas, assim como eu né? Reparem que ele não está tomando um Starbucks. Valeu, Jude!
Julie e Julia
Não subestimemos as ideias simples. Muitas vezes é a partir delas que podemos encontrar soluções para nossos problemas. E olha que “problemas” aqui podem ser aqueles sérios, relacionados ao marasmo da vida, causado principalmente pelas frustrações na carreira.
Vejamos o caso de Julie Powell… Estava prestes a completar 30 anos, casada, sendo pressionada pela sociedade para ter filhos (por que a humanidade ainda faz isso, alguém me explica?) e com um emprego medíocre de secretária num lugar onde tinha que aturar aquelas conversas ininteligentes dos colegas de trabalho. Eis que um belo dia, na cozinha de sua mãe, ela acha o velho livro de receitas “Mastering the Art of French Cooking”. Escrito em 1963 por Julia Child, o livro virou um clássico nos Estados Unidos. Deu tão certo que a autora foi convidada a ter um programa na TV, daqueles mesmo do tipo da Ofélia aqui no Brasil.
Aí a Julie começou a preparar as receitas da Julia. E foi além, propôs um desafio para ela mesma: fazer as 524 receitas do livro em um ano e compartilhar com o mundo num blog, que ela chamava de “The Julie/Julia Project”. O blog começou a ser bastante acessado, as pessoas queriam saber como a Julie estava se virando, torcendo por ela e também tentando seguir algumas das receitas. Ok, pode ser uma ideia um pouco insólita, mas não deixa de ser simples.
E então o blog virou livro. E o livro virou filme – estrelado por ninguém mais, ninguém menos que Meryl Streep. Tem também a Amy Adams, que acho uma graça, interpretando a Julie. Desde que li “Julie & Julia” fiquei obcecada por essa coisa das ideias simples mudando a vida das pessoas. Aí eu começo a pensar nos inúmeros projetos que já tive pra blogs, que nunca vão pra frente. Quem sabe um deles não dá certo um dia? E aí o blog vai virar livro. Que vai virar filme. Que vai ter a Meryl Streep, claro!
Trailer do filme, que estreia em setembro no Brasil
Café é vida!
(No embalo do dia do café)
Meus pais contam que, antes mesmo de eu nascer, eles diziam “esta menina vai gostar muito de café!”. Grandes apreciadores da bebida, falavam a mesma ladainha sobre meu irmão. Só que não foi bem assim. Eu e ele experimentamos café quando pequenos e não gostamos. Bebemos o café que nossos pais faziam, que a vó fazia, que a tia – que segundo diziam, preparava o melhor café – fazia, e nada! Não entendia como alguém podia gostar daquilo e ser até dependente da bebida.
O estranho era que sempre que eu passava por lugares que vendiam o café espresso tinha vontade de tomar. Gostava do cheiro e da cor. Gostava de ver os grãos juntos num recipiente, prontos para serem moídos. Mas aí lembrava que não conseguia beber aquilo e deixava pra lá.
Foi só quando fui morar sozinha na época da faculdade que entendi o porquê não conseguia beber o café da minha mãe, da minha vó e da minha tia. Finalmente tive coragem para experimentar o café espresso, feito na máquina. Foi quando tive que concluir: meus pais e minhas tias não gostam de café de verdade! Há quem possa discrepar, dizer que estou exagerando – e talvez esteja mesmo – e afirmar que eles gostam sim de café, mas do café fraco. E aí eu cito o pedaço de um diálogo que alguém me disse (ou ouvi ou li, já não lembro mais): “Quando eu quero tomar café, tomo café. Quando eu quero água, tomo água”. O problema era que eu e meu irmão não conseguíamos tomar água com gostinho de café. Era realmente insosso. Até mesmo a cor era feia, um marrom sem graça. Já a cor do café espresso, com aquela espuminha dourada em cima, é coisa linda! E o sabor forte, percuciente, com gosto, veja bem, DE CAFÉ (!!!), não tem igual.
Quando me mudei para o Reino Unido, passei a apreciar ainda mais a bebida. É que lá fiz curso de barista para poder trabalhar num café. Aprendi a fazer capuccinos, cafe latte, mocaccino, irish coffee e por aí vai… Entendi como funcionava a máquina de café, como ligar, como limpar, como conservar. Não me esqueço o dia em que fiz um latte pela manhã e a cliente disse “o mais bonito que já vi aqui em Exeter”. E era bonito mesmo (a modéstia é para os fracos, ok?). Adorava fazer o café em camadas, acertando no ponto certo da espuma. Uma pena eu não ter tirado fotos das minhas empreitadas como barista. Durante minhas folgas no trabalho podia fazer o café que quisesse (chefes legais, né?). Não havia como não viciar. Um dia percebi que havia tomado três xícaras (grandes!) de café numa manhã e comecei a frear a vontade.
Na Inglaterra também aprendi a tomar café sem açúcar. Não vou dizer que é um pecado colocar açúcar em café como nos chás. Sei que são poucos que conseguem tomar um espresso puro. Mas não adianta, pra mim é melhor assim. Ah, mas nada de adoçante! Adoçante não vale nunca, em bebida nenhuma. Alias, adoçante só pode ser coisa do diabo. Das poucas vezes que me envenenaram com isso, fiquei sentindo o gosto durante uns três dias.
Lá no Reino Unido conheci o Costa Coffee. E aí o Starbucks deixou de existir pra mim. Starbucks = café fraco. Costa Coffee = melhor café que já tomei. Adorava pedir um mocha medium, daqueles que você bebe numa xícara-balde (que infelizmente não é possível encontrar no Brasil).
Há pouco tempo ganhei uma máquina de espresso. Já está no TOP 5 melhores presentes da minha vida. Agora posso tomar café do jeito certo (hehe) em casa e ainda praticar minhas habilidades de barista. Estou à procura dos melhores grãos (quem souber me indica), mas já sei que alguns grãos do Costa vão cruzar o Atlântico em breve para minha felicidade.
Café, parabéns pelo seu dia! Obrigada por existir!
Chá da Amizade
Durante muito tempo da minha vida eu associei o ato de tomar chá a estar (quase) doente. Não é que eu não gostasse da bebida ou achasse que tinha gosto de algum remédio. Mas nunca fui acostumada a tomar chá. E acredito que para ser criança e tomar chá tem que ter alguma tipo de hábito na família. Afinal, não é comum ver uma criança susbtituindo o leite com achocolatado por chá. Eu e meu irmão só tomávamos chá durante o inverno, à noite, para prevenir gripe ou alguma outra doença. Se funcionava mesmo, não sei dizer. Mas lembro direitinho que minha mãe me fazia tomar um copão de chá. Não podia escolher o sabor, nem a via preparando a bebida. Ela me entregava o chá quando eu já estava deitada, pronta pra dormir. Tomava tudo, não exatamente saboreando, mas também sem desgosto pela coisa. O difícil era associar a bebida a algo que se toma por prazer.
Dessa forma, passei anos da minha vida sem saber o quanto tomar chá poderia ser saboroso. Isso mudou quando fui morar na Inglaterra. Antes de ir pra lá, já tinha ouvido falar de como os ingleses eram malucos por chá. Sabia do chá das cinco da tarde e já até tinha participado de um durante uma aula no cursinho de inglês. Acontece que essa história do chá das cinco é pura balela. Os ingleses tomam chá às cinco da tarde, às oito da manhã, às nove da noite, ao meio-dia, às (insira aqui um horário aleatório)… Durante um expediente, vi gente tomar cinco canecas (é mais comum que xícaras) com o tradicional english tea. Eu achava isso super curioso no início. Tomava a minha única caneca (que era até grandinha) por dia e me surpreendia com a capacidade dos ingleses entornarem um chá atrás do outro. E isso no trabalho, imagina em casa! É muito comum nas casas de lá encontrar a kettle (uma chaleira elétrica) na cozinha, nos quartos, na sala. Com o tempo, eu passei a aumentar a quantidade de litros de chá bebidos por dia e até arrumei uma kettle pra mim (aliás, não consigo lembrar como foi que a chaleira foi parar no meu quarto, mas me apossei e a utilizei bastante).
Lá na terra da rainha, experimentei diversos tipos de chá. Mas o que mais consumia era o english breakfeast tea. Se alguém entrasse no café onde eu trabalhava e pedia por “one tea, please” eu já sabia que era o breakfast tea. Ele é um tipo de chá preto e os ingleses costumam tomar com um pouquinho de leite. Nada de açúcar. Aliás, colocar açúcar em qualquer tipo de chá é um dos maiores pecados do mundo, ok? Na Inglaterra, é como cometer uma infração. Já se você adicionar um cookie e ainda molhá-lo um pouquinho na bebida, ganha pontos com os britânicos.
A minha paixão por chás cresceu de tal modo que um dia me vi pegando um ônibus para uma fazenda no interior de Devon. É claro que eu não fui tão louca assim. Pesquisei direito sobre o local, chamado Darts Farm. Sabia que era perto de Exeter, onde morava, e sabia que lá iria achar um tipo de chá que tinha visto na revista Marie Claire de fevereiro (sim, eu gastei algumas libras numa revista Marie Claire e admito que só o fiz porque tinha a Lily Allen na capa!). Eram chás orgânicos da marca Today Was Fun, que tem um conceito genial. Não tenho moral publicitária para ficar avaliando conceitos, mas lembro que fiquei demasiadamente encantada com as embalagens. Eles tiveram a idéia simples de associar “chá & filosofia”. “Há séculos as pessoas sabem que sabedoria e conselho, amor e apoio, novidades e fofocas, todos são melhores com uma xícara de chá.” E aí eles criaram o Chá da Felicidade, o Chá da Amizade, o Chá do Amor, o Chá da Inspiração, o Chá do Sono e o Chá da Espera (especificamente espera durante a gravidez). Todos eles vêm com uma filosofia que é coisa linda! Vale a pena entrar no site e ver cada uma delas e também conferir o sabor de cada um.
Comprei os da Felicidade, da Inspiração, do Amor e da Amizade (com isso tudo quem precisa de um chá do sono?). Fiz questão de esquecer a fortuna que gastei com os pacotinhos coloridos. Comprei mais dos da Amizade, para dar de presente para os amigos brasileiros. Cheguei ansiosa para distribuir os presentinhos (eu amo dar presente!) e também guardei alguns para eu saborear depois. Acabei deixando uns três pacotinhos (dois da Amizade e um do Amor) numa mala. Não sei ao certo se estava esperando fazer um amigo novo ou me decidindo se algum amigo antigo merecia o chá tão especial. Mas há pouco tempo um amigo publicitário mandou e-mail com um link falando dos chás, do tanto que ele gostou das embalagens e aí não tive dúvida: ele certamente merecia ganhar um. Aliás, falha minha só ter pensado nisso depois de quase um ano de retorno da Inglaterra, já que esse amigo foi daqueles que mais me ajudou quando eu mais precisava de chás da amizade lá no outro lado do Atlântico. O outro pacotinho foi para uma amiga nova querida (viu só, até que adiantou esperar!). Como os dois são da mesma turma e como o Chá da Amizade deve ser tomado entre amigos, decidimos por um Chá das Cinco da Tarde na minha casa (outra coisa que amo: ser anfitriã). Fiz bolo de cenoura, a amiga fez cookies de chocolate e entre chás e conversas, o evento rendeu até mais de meia-noite. Lavei a pilha de louça suja quando os amigos foram embora feliz da vida por ter pessoinhas especiais na minha vida, com quem posso dividir Chás da Amizade. Pensando bem, quem tem amigos tão bonitos como eu não precisa de mais nenhum dos outros tipos de chás.
Num próximo post falarei da minha relação com o café, também influenciada pelo tempo em que morei no Reino Unido.
Supersize vs Superskinny
Os ingleses são fanáticos por reality shows. Basta uma tarde assistindo à televisão na Inglaterra para comproval tal axioma. A combinação reality + culinária é sucesso na certa entre os meus amigos brancos, de dentes feios e bochechas rosadas. Quando morei no Reino Unido, zapeava pelos canais e sempre encontrava um programa interessantemente estúpido pra assistir. Lembro de alguns que tinham essa fórmula “comidas e pessoas”, quase sempre envolvendo algum tipo de competição: “Ramsay’s Kitchen Nightmares” (e variações, já que esse chef ficou muito famoso na Inglaterra), “Come Dine With Me” (achava hilário, o humor britânico me pegou) e “Rosemary Shrager’s School for Cooks” (sempre me apegava a alguém).
Descobri o “Supersize vs Superskinny” no Channel 4 e comecei a acompanhá-lo quando podia (ou seja, quando não estava com o bloquinho de notas preparado para anotar a resposta da pergunta “What would like to drink?”). Em cada programa, uma pessoa obesa e uma pessoa anoréxica se hospedam numa clínica. Durante uma semana eles devem trocar as refeições. O super magro come porcaria o dia inteiro. O super gordo come – ou melhor, não come – de acordo com a dieta do magricelo. Uma vez vi uma gordaça gordinha sofrer porque depois de duas da tarde o menino vara pau só tomava três copos de suco de laranja.
O superskinny não era obrigado a enfiar tudo goela a baixo. Muitos tentavam e conseguiam comer o prato inteiro (se eles vomitavam depois, não era mostrado). O supersize ficava irritado com a falta de alimento, mas não trapaceava nem com uma barrinha de cereal (pelo menos não em frente às câmeras). Os dois às vezes se estranhavam, indignados com a disfunção alimentar do colega. E é claro que no meio disso tudo aparecia o médico com seus apartes, dizendo como as duas maneiras de comer estavam erradas.
Após os sete dias de troca de cardápio, o médico passa as dietas que cada um deve seguir ao longo de dez semanas. Eles voltam à clínica e mostram os resultados. Os gorduchos sempre perdiam uns bons quilos. Já os magros ganhavam só uns dois quilinhos que mal faziam diferença no corpo caveirinha.
Parece tão bobo. E eu jamais diria que não é. Mas como eu gostava! Na época assistia com uma amiga alemã que já havia sido anoréxica. Ela me explicava o quanto era difícil o corpo voltar a ter aparência saudável. E nem é porque não existem ex-anoréxicos. Ela sempre comia mais que eu (e olha que eu tenho vergonha de dizer aqui o quanto eu comia na época), mas mesmo assim continuava parecendo muito fraca. Eu, com meus quilinhos a mais (blame the Devon Cream Tea!), parei de me preocupar. Perdi algumas calças, mas muitas pessoas diziam que eu estava melhor daquele jeito. Pudera! Quando cheguei na Inglaterra, não custava muito e eu podia ser uma magricela participante do programa (blame a ansiedade de intercambista de primeira viagem!). Quando voltei ao Brasil, sabia que ia perder peso, já que minha rotina alimentar sempre foi saudável aqui, onde as bananas realmente têm gosto de banana. Desdo o retorno me controlo pra nunca chegar a ser como antes. Não acho que estou bem nas fotos do meu primeiro mês em Londres. Superskinny no more! E longe de mim defender os Supersizes, hein!
Supersize vs Superskinny passou ontem no GNT (no site do canal só tem os horários dos que já passaram). Deu um banzo danado da idiota TV Britânica. A página oficial do programa está aqui.
O livro esquecido de 2008
Acabei sendo negligente com a lista dos livros de 2008 e acho justo retratar-me logo. Esqueci do Mordidas sonoras, que ganhei de aniversário, e li nas filas do Indie 2008, entre uma sessão e outra.
A obra reúne crônicas de Alex Kapranos (aka Kapramim) sobre suas experiências gastronômicas durante a turnê mundial que fez com sua banda Franz Ferdinand. Os textos são tão bacanas que Kapranos acabou ganhando uma coluna só pra ele no jornal britânico The Guardian.
Se tem uma coisa que me dá prazer é sair pra comer com amigos, seja para um simples café até um jantar mais extravagante quando o bolso deixa. Gosto de conhecer lugares novos, experimentar pratos, pedir bebidas e sobremesa. Sou a prova viva de que é possível passar sete meses no exterior como intercambista/viajante e não comer no Mc Donalds – coisa que não faço nem aqui no Brasil. Acho válido experimentar pratos típicos e procurei fazer isso em cada país que fui.
E isso tudo pra falar que acho o Kapranos um sortudo de poder fazer o que fez, comer em diversos países (provavelmente sem pagar na maioria) e compartilhar as experiências. Não me acho competente para descrever comidas – falta um paladar apurado, talvez – e acho que o vocalista do Franz soube fazer isso muito bem, relacionando as degustações com experiências do passado e descrevendo tudo minunciosamente, das fachadas dos restaurantes ao clientes.
Pretendo levar o livro no meu próximo mochilão. Seja aonde eu for, provavelmente Kapranos já deve ter ido (tem de tudo, Cingapura, Sydney, Munique, San Francisco… ). Seja ou não um interessado em gastronomia, acho fácil devorar (ooops) o Mordidas Sonoras.
Petit Gâteau
¡Cocina mexicana!
Eu ouvi durante um jantar
“Eu me casaria com um tomate seco”











