Declaration of Dependence – Kings of Convenience
(Para o Pílula Pop)
Em meio ao turbilhão de decisões profissionais e remendos do coração, a gente acaba complicando ainda mais a vida porque ansiamos loucamente por independência. A gente reclama da falta de dinheiro, de ainda morar com os pais, de ter perdido aquele que achávamos ser o amor de nossas vida. E a gente reclama também porque as bandas não trazem novidades, não fazem discos geniais, não inventam a roda de novo. E aí fica difícil perceber que a tranquilidade pode ser encontrada justamente no oposto disso: na declaração da dependência e em um disco tão bonito e simples como este novo do Kings of Convenience.
A dupla da Noruega apresenta o mesmo folk-bossa-nova do anterior Riot on an Empty Street. Os arranjos continuam bem parecidos, com violão, ukelele, violino e piano, acompanhados pelos vocais calmos e sobrepostos de Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe. Das treze canções, pelo menos uma terá nas letras um tema que fará com que a gente fale “é a minha música”. Isso pode ocorrer ao lembrarmos de um relacionamento de idas e vindas (“Boat Behind”) ou ao constatarmos que nos sentimos vulneráveis perto de algumas pessoas (“Mrs Cold”).
E não precisa ter o coração partido ou necessariamente ter lembranças tristes para se identificar com Declaration of Dependence. “Freedom and its owner” fala da liberdade (que a gente tanto almeja e nos frustamos porque achamos que nunca vamos alcançá-la) de uma forma não ansiosa. A canção nos ensina que “freedom is never greater than its owner” e que “no view is wider than the eye”. “Power of not knowing” segue a mesma linha “pra acalmar o coração”. Enquanto o violão é dedilhado, Erlend e Eirik cantam (para mim): “Our bigger blessing, girl/ Is being young/ The power of not knowing/ Where you belong”.
E aí a gente para de reclamar e agradece por existir um disco tão melancolicamente bonito como Declaration of Dependence, desses que a gente escuta sem se preocupar com o tic tac do relógio. Não é preciso descobrir a pólvora para ser um disco bom. Basta falar de forma bonita dessas coisas como amor, liberdade e independência. Pensando bem, isso é sim genial.
adoro tanto eles.
desse cd eu gostei médio; prefiro o riot on an empty street e o quiet is the new loud.
mas de qualquer forma, eles são demais.
já chorei muito com stay out of trouble… amo.
que bom ver seu textinho sobre eles…
dusanju
December 18, 2009 at 12:14 am
é bem isso. dôrei.
beijos,
Elisa
December 28, 2009 at 3:25 pm